top of page
Buscar

Gola: Escrever a partir da poesia, traduzir a partir da poesia.

  • Foto del escritor: Coss
    Coss
  • 18 dic 2025
  • 2 Min. de lectura

Actualizado: 25 dic 2025



Hugo Gola e o ofício da tradução.



O trabalho de Hugo Gola como tradutor abrange as mesmas preocupações constantes em seu própria ofício como poeta: ritmo, condensação, tom… É sabido que as melhores traduções costumam ser feitas por poetas. Sua proximidade com a materialidade da palavra permite-lhes oferecer abordagens que conseguem recapturar a maioria dos elementos constitutivos do poema original.


Gola compilou uma importantíssima coleção de obras sobre poética. Vale ressaltar que essas mesmas obras também são um claro exemplo de como sua concepção do ofício –tanto em sua prática de escrita quanto em seu trabalho como tradutor– permanece constante. Uma abordagem comprometida e jamais autoindulgente.


Ser tradutor não é ser mordomo. Haroldo de Campos insistia que para ser um bom tradutor é preciso desaprender línguas. Ao traduzir, o nativo de Santa Fé “desaprende” os maneirismos da aura literária tradicional e procede de maneira mais vigorosa, libertando-se do prestígio da língua. Cada uma de suas traduções se apresenta sem os floreios tão comuns -e sofridos- em muitas publicações, “boas maneiras” que desconsideram as complexas questões da linguagem em sua relação com o silêncio como fronteira significativa, seu tom, sua intimidade com os ritmos da fala ou, em suma, com o próprio mistério da poesia.


É bastante evidente a coerência entre os poetas pelos quais Gola nutre predileção, pois eles frequentemente abordam reflexões reveladoras sobre a linguagem poética e a tradução: Pound, Ungaretti, Valéry, Bachelard.


Gola sempre sustentou que a dualidade entre linguagem e mundo é um exercício problemático reservado a todo artista. Se o ato de (re)escrever partisse da certeza, a necessidade de descobrir e dar conta da emoção poética seria nula. A tradução viva respeita essa ambiguidade persistente. A tradução viva respeita essa ambiguidade persistente para que a materia viva da poesia não morra entre as línguas. Essa lição permanece: escrever a partir da poesia, traduzir a partir da poesia.



Jesús Coss, Jugar con fuego, Frenteeditora.


 
 
 

Comentarios


bottom of page